segunda-feira, 9 de novembro de 2015



Universidade Federal do Rio Grande – FURG
Sistema Universidade Aberta do Brasil
Especialização em Educação de Jovens e Adultos
na Diversidade

PLANO DE AULA NA EJA
MATEMÁTICA
Aprendendo a planejar suas compras

ANO
Terceiro/Quarto ano do Ensino Fundamental

OBJETIVOS
·      Proporcionar aos alunos o contato com os materiais gráficos produzidos pelas empresas (móveis, mercados, farmácias, etc);
·      Produzir uma lista de compras e discutir as utilidades da mesma;
·      Conhecer os itens, aprender a classificar conforme as suas necessidades e poder de compra;
·      Trabalhar gêneros textuais e uso de cálculos, tanto escrito como com dinheiro falso;
·      Reconhecer as notas e moedas correntes.

MATERIAIS
·      Material impresso de propagandas do comércio (lojas de móveis, mercados, material de construção, farmácias, etc);
·      Lousa e piloto
·      Cadernos, lápis, caneta
·      Dinheiro falso

DESENVOLVIMENTO DA AULA
1º MOMENTO
Contextualizar o assunto, perguntando aos alunos se eles têm costume de fazer lista antes de ir ao mercado, feira, açougue, etc.
Para aqueles que fazem lista, ela ajuda? Para aqueles que não fazem, a lista ajudaria? Por que sim e por que não?
Explicar sobre a importância de realizar uma lista antes de sair às compras: redução de custo e desperdício, comprar produtos com preços mais baratos, comparar preços e aproveitar promoções, evitar esquecer algum item que precisaria ser comprado, etc.

2º MOMENTO
Solicitar aos alunos criarem uma lista de compras, a partir dos materiais disponíveis, se utilizarem lista com móveis, colocar os preços a vista e parcelados. Orientá-los a fazer uso da lista anterior nas compras posteriores, de forma a ter uma base de comparação de preços. Isto ajudará a decidir na aquisição do produto e até mesmo a buscar em outros lugares produtos com melhores preços.

3º MOMENTO
Questionar aos alunos se esta lista de compras se encaixa no orçamento, fazendo um cálculo dos itens selecionados, se for móvel ou outros materiais, fazer a conta da compra a vista e a prazo e relacionar com as despesas mensais.
O trabalho com encartes durante as aulas proporciona que a elaboração de cálculos e uso da leitura e escrita seja menos mecânica e mais prazerosa, além de trazer mais resultados que um ditado de palavras ou uma simples folha de cálculos, sem motivo ou razão.

4º MOMENTO
Com o dinheiro falso, separar o que se gastou com as compras, se possível também colocar o valor da renda mensal e partir daí visualizar o que foi gasto e o que restou para gastar com outros itens.

CIÊNCIAS
Com base no material contido nos encartes, os alunos irão construir uma pirâmide alimentar e trabalhar conceitos relacionados com alimentação saudável.

OBJETIVOS:
·         Conhecer os hábitos de alimentação saudável;
·         Conscientizar quanto à importância de uma alimentação equilibrada;
·         Relacionar os males que os hábitos de alimentação inadequada podem causar ao corpo;
·         Apresentar a pirâmide alimentar.

DESENVOLVIMENTO DA AULA

1 º MOMENTO
Iniciar a aula com um debate a respeito do assunto para os alunos se conscientizarem da importância da alimentação saudável. Perguntar aos alunos o que gostam de comer e se tudo que comem é saudável.

2 º MOMENTO
Rever suas listas de comprar e analisar sobre os alimentos escolhidos, são saudáveis ou não e o que seu consumo excessivo pode causar no organismo.

3º MOMENTO
Apresentar e comentar a pirâmide alimentar, relatando a importância de nos alimentarmos bem. Após a explicação da pirâmide, os alunos deverão realizar no caderno suas próprias pirâmides, a partir de suas listas de compras e refletir sobre suas escolhas. 

AVALIAÇÃO
Será contínua durante toda a aula. Serão avaliados: a participação, a produção individual e coletiva, o conhecimentos da língua, conceitos sobre alimentação e cálculos matemáticos.

REFERÊNCIAS
http://samiraeducando.blogspot.com.br/2011/09/plano-de-aula
sobrconsumidor.html.Acesso disponível em 06/09/2015.

http://www.professorzezinhoramos.com/2013/05/5-ano-plano-de-aula-trabalhandocom.html. Acesso disponível em 05/09/2015.


http://meucantinhosimonelucas.blogspot.com.br/2012/12/planos-de-aulas-eja.html.Acesso disponível em 06/09/2015.
Universidade Federal do Rio Grande – FURG
Sistema Universidade Aberta do Brasil
Curso de Aperfeiçoamento de Professores para Atendimento Educacional Especializado na Perspectiva da Educação Inclusiva

ESTUDO DE CASO
O aluno Bonitinho tem 13 anos, mora com sua mãe, um irmão de seis anos e sua tia materna, em um bairro de periferia, situado numa cidade do interior do Estado. O bairro é acolhedor e possui boa infraestrutura
Após aplicação do teste Wisc III, no CAPS infantil em 2011, conclui-se que o mesmo apresentou inteligência limítrofe, demonstrando um déficit cognitivo importante, ele freqüenta o 3º ano do ensino fundamental de uma escola estadual, está na sala de recursos desde 2011, uma vez por semana, no projeto “Mais Educação” em turno inverso e oficinas terapêuticas em um CAPS infantil uma vez por semana.
 A escola é, por exemplo, um meio de estimulação tanto social e motor, quanto cognitivo, no qual a criança tem maiores possibilidades de ampliar seu desenvolvimento global. Se tratando da inclusão de uma criança com deficiência intelectual é preciso que não só a instituição esteja preparada, mas também os funcionários e os próprios alunos da escola, porém têm-se uma preocupação no que diz respeito à inclusão dessa criança em uma escola regular.
Para JARDINI (2010), as pessoas que apresentam inteligência limítrofe possuem uma importante dificuldade de aprendizagem, neste aspecto, é importante destacar o papel da família que, por vezes assume para que o filho não consiga acompanhar os demais colegas da mesma faixa etária, sem observar a importância dos estímulos para a superação das dificuldades da criança e a toda capacidade que ela apresenta.
Segundo o parecer da escola, Bonitinho tem tido rendimento escolar muito baixo (mesmo sendo repetente), tem problemas com sua autoestima, refere-se a si mesmo como “burro”. Na sala de recursos da escola são trabalhadas atividades, como: jogos com letras, recorte e colagem, jogos educativos e jogos no computador.
No CAPS infantil, o aluno tem atendimento médico, pois fazia uso de medicação, atualmente não faz mais, também tem acompanhamento psicológico, pedagógico e participa de oficinas terapêuticas (informática e pintura em tecido), para auxiliar em suas dificuldades, trabalhar limites e aumento da autoestima.
O trabalho da escola em parceria com o CAPS infantil é de proporcionar novos desafios, além de promover a convivência social e o desenvolvimento das habilidades cognitivas, afetivas e motoras, necessárias para o aprendizado da leitura e escrita.
Os pais do aluno Bonitinho são separados há alguns anos, sua mãe possui uma deficiência intelectual leve, seu pai é alcoolista, o irmão de seis anos freqüenta o primeiro ano do ensino fundamental. Gosta de ir para a escola, tem boa relação com os professores, colegas e funcionários, demonstrando carinho e afeição.
Sua mãe relata que em casa Bonitinho tem dificuldades em aceitar regras, tem brigas constantes com a mãe e o irmão, visto que parece que quer competir à atenção de sua mãe, desde a separação de seus pais, tem pouca convivência com o mesmo. A casa onde moram é de sua tia materna. Estão lá desde a separação dos pais, segundo Bonitinho, a relação entre sua família e a tia é tranquila.
Seria interessante trabalhar as seguintes atividades tanto na sala de aula regular, quanto na sala de recursos:
·           Confecção do livro da vida, a partir dos documentos trazidos pelos alunos, como fotos, documentos (cópias) e tudo aquilo que diz respeito as suas identidades, estimulando assim à escrita;
·         Trabalhar a expressão artística com desenhos, pinturas, modelagens e dramatizações;
·         Diferentes práticas de escrita e/ou produções textuais, envolvendo ludicidade, roteiros e sequência lógica;
·         Atividades envolvendo apreciação musical como cantos, interpretação de letras de músicas, utilização de instrumentos musicais, construções de paródias a partir de músicas conhecidas;
·         Trabalho com literatura infantil: leitura e interpretação oral e escrita de imagens e recontagem das histórias;
·         Prática de descrição, narração, recontagem de situações vividas e significativas ao educando, através de aulas-passeio, atividades extracurriculares no território.
Estas atividades tem o intuito de ampliar as habilidades de memorização, aprimorando a linguagem, comunicação e interpretação, aperfeiçoando as suas potencialidades de atenção e concentração, e explorar a noção de quantidades, tempo, espaço, através da observação e manipulação de diversos materiais. Identificar cores, numerais, letras e formas geométricas, expressando-se e comunicando-se através da percepção, da imaginação, da emoção, da sensibilidade e da reflexão.
Segundo BRODZINSKI (2000) partindo do pressuposto de que cada indivíduo constrói sua relação com a linguagem a partir da sua individualidade, de forma subjetiva, pretende-se olhar para os dados de escrita inicial, por serem eles indícios que revelam o contato da criança com a linguagem escrita. A investigação das pistas e indícios deixados durante a produção de um texto permite perceber como se dá a relação entre sujeito e linguagem.
O estudo de caso proporciona uma visão mais ampla e integrada de uma unidade social, tendo um potencial enorme de contribuição para a busca de soluções de problemas da prática educacional, fornecendo informações importantes, que permita uma abordagem mais eficiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BRODZINSKI, Josilene. O que as crianças “limítrofes” revelam através da escrita? Curitiba. 2000


JARDINI, Renata Savastano R. Alfabetização e Reabilitação pelo método das Boquinhas. Fundamentação Teórica. 2010 

FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DIVERSIDADE, DIÁLOGO, AUTONOMIA.

HISTÓRICO, LEGISLAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DA EJA

VARGAS e FANTINATO (2011) ressaltam a importância de uma formação docente para a Educação de Jovens e Adultos, baseada na preparação teórico-metodológica dos conceitos de diversidade cultural, diálogo, autonomia e o desenvolvimento de uma Proposta Curricular voltada para esta modalidade de ensino, relatando como os professores da EJA vivenciam os desafios da prática docente e suas motivações para atuarem nesta modalidade de ensino.
Através de entrevistas realizadas com professores da EJA do Rio Janeiro que participaram de formação continuada promovida pela SME-RJ em 2004 e 2008, as autoras destacam os seguintes itens na pesquisa: Trabalho docente na EJA, Desafios da formação de professores de Jovens e Adultos e as Implicações da formação continua para o desenvolvimento de proposta curricular em EJA.
Segundo PAIVA (1973) a EJA é considerada uma modalidade diferenciada, pois está fora dos moldes tradicionais do ensino regular e a formação docente deve ter uma configuração adequada a este público, sendo que as Políticas Públicas devem proporcionar uma educação de qualidade comprometida com a construção da cidadania.

Trabalho docente na EJA: Motivações e escolhas
Na pesquisa realizada por VARGAS e FANTINATO (2011) os professores entrevistados relataram que atua na EJA por distintas motivações, como conveniência do horário noturno, acréscimo de porcentual ao salário, possibilidade de trabalhar perto de casa e entre outras. 
            A preparação inicial dos professores de diversas áreas destinadas para atuarem no ensino regular não possui uma formação específica e adequada para EJA, uma preparação teórico-metodológica que ressaltassem as especificidades dos alunos desta modalidade de ensino.
Para RIBAS e SOARES (2012) a concepção moderna do professor da EJA exige uma sólida formação científica, técnica e política, atreladas às práticas pedagógicas críticas e conscientes para avaliar a atual condição da educação.
            Os professores da EJA desenvolvem seu trabalho pedagógico, através do conhecimento construído no cotidiano com os alunos, como a troca de experiências entre aluno e professor, e os professores continuam atuando na EJA porque sabem como é importante a escolarização para esses alunos, pois estes sujeitos possuem suas histórias de vidas tecidas na exclusão, a (re)inserção desses alunos e a permanência dos mesmos no âmbito escolar contribuirão para a redefinição da identidade dos mesmos.
Para BANNEL (2001, P.22) “cada sala de aula está inserida em um contexto sociocultural que é plural, marcado pela diversidade de grupos e classes sociais, visões de mundo, valores, crenças, padrões de comportamentos, etc., uma diversidade que está refletida na sala de aula”. Esta diversidade e realidade destes sujeitos devem ser consideradas pelo educador quando for realizar as suas práticas.
            Os motivos que fazem com que os professores atuam na EJA estão relacionados a um espaço maior de autonomia, por ser um trabalho docente desenvolvido com alunos adultos, propícia uma maior interação entre ambos e a proximidade da faixa etária é um dos fatores que motivam a aproximação dos mesmos, mantendo desta forma um diálogo mais aberto sobre questões sociais.
            Outro fator é origem social dos professores da EJA, os quais viveram em contexto social como seus alunos, sendo que seus pais puderam cursar somente as series iniciais, este fator contribui para valorização da educação não formal, vivenciadas pelos sujeitos envolvidos neste processo de construção de aprendizagens, sensibilizando sobre a diversidade cultural existente.
           
Desafios da formação de professores de Jovens e Adultos
Entre os desafios encontrados pelos professores da EJA estão às questões relacionadas à diversidade cultural, ao diálogo e a autonomia, neste contexto a preocupações com a diversidade e igualdade, também a diferencia da faixa etária entre os alunos, e seus múltiplos papéis que ocupa na família, fatores que dificultam a percepção das identidades individuais e da turma em geral, realizadas pelos professores.
            A EJA é uma modalidade de ensino que se originou na desigualdade e na exclusão, e atuar nesta modalidade de ensino é enfrentar vários desafios, sendo necessário compreender que todos somos seres únicos, com características diferentes, mas possuem os mesmos direitos, perante a essa diversidade e com objetivo de identificar as múltiplas realidades existentes na EJA.
Deve ser reconhecidos e valorizados os saberes não formais dos alunos, e contemplados no planejamento do professor, suprindo as peculiaridades e necessidades de cada aluno, reconhecendo a identidade cultural de seus alunos, através de um afetivo diálogo entre os sujeitos envolvidos neste processo.
            VARGAS e FANTINATO (2011) ressaltam a concepção de Freire que vincula o processo dialogal ao próprio ato de conhecer, neste contexto se faz necessário o diálogo entre as áreas do conhecimento e os diferentes saberes dos alunos jovens e adultos trabalhadores.
             Questões relacionadas à dinâmica e autonomia tem sido um assunto abordado pelos professores, os quais visam combater a baixa autoestima de seus alunos, e que em busca de contemplar as especificidades dos alunos se questionam sobre a influência que a sua autonomia pode trazer aos conteúdos curriculares.
              A construção da autonomia ocorre através do diálogo, dos saberes de todos os envolvidos no processo de aprendizagem, sendo vivenciada pelos professores em seu trabalho docente e através da formação continuada de professores.
            De acordo com VARGAS e FANTINATO (2011) os cursos de licenciaturas deveriam abordar assuntos que privilegiam a diversidade, a autonomia e o diálogo, favorecendo desta forma uma educação que leve em conta os saberes, os processos de construção do conhecimento dos alunos e a construção de uma prática docente crítica e transformadora na EJA.
                Através da interação entre aluno e professor, e dos saberes não formais,  os conhecimentos curriculares vão sendo construídos e reconstruídos, tornando assim os novos conhecimentos significativos, pois a educação oportuniza a cada indivíduo conduzir o seu processo formativo.  O trabalho de construção da autonomia do professor da EJA, esta sendo construído juntamente com os alunos, através do diálogo sobre os interesses e necessidades de cada um.
             
Implicações da Formação Continuada para o Desenvolvimento de Proposta Curricular em EJA
              Na formação continuada de professores na EJA são abordadas questões relacionadas aos princípios de diversidade, diálogo e autonomia, como um direito à uma educação de qualidade para as camadas populares, esses espaços e tempos de formação são fundamentais, porque através da troca de experiências entre profissionais a formação possa a ser reinventada.
Os conteúdos devem ser articulados em uma perspectiva intercultural e interdisciplinar, visando entender como esses saberes foram construídos, as motivações que os professores adquiriram com as experiências acabam dificultando-os de reconhecer os saberes construídos nas práticas sociais.
O professor deve identificar esses múltiplos saberes dos alunos e mediá-los com os saberes escolares, contribuindo para o desenvolvimento de uma proposta curricular alternativa para esta modalidade de ensino, que diminui à distância entre a formação inicial e a prática docente na EJA.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BANNEL, R. Formação discursiva do professor e a (re) construção crítica do saber pedagógico, In. Movimento: revista da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, nº 4 Niterói, Set.2001.

PAIVA, V.P. Educação popular e educação de Adultos: contribuição à História da Educação Brasileira. São Paulo: Loyola, 1973, p.57.

RIBAS, Marciele Stiegler; SOARES, Solange Toldo. Formação de professores para atuar na EJA; uma reflexão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da prática docente, In. Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul. 2012.

VARGAS, Sonia Maria; FANTINATO, Maria Cecilia de Castello Branco.  Formação de professores da educação de Jovens e Adultos: Diversidade, diálogo, autonomia, In. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v.11, n. 34, p.915-331, Set./Dez. 2011. Disponível na Disciplina Histórico, legislação e Políticas Públicas da EJA. Curso de Especialização de Educação de Jovens e Adultos na Diversidade. FURG, 2011.




O MUNDO DO TRABALHO: NO CAPITALISMO MODERNO E NA EJA

1 INTRODUÇÃO
                   
A Revolução Industrial causou um grande impacto na sociedade, principalmente no trabalho e na educação da EJA, onde os indivíduos sentiram a necessidade de ter uma formação profissional, para atender a demanda do mercado de trabalho, bem como atender as necessidades de uma sociedade capitalista, onde as pessoas trabalham visando acumular riquezas.
A sociedade passou por algumas transformações, se antes era o modo feudal que regia, onde o domínio era da economia de subsistência, com pouco foco para a troca, e o comércio agora é o modo capitalista, que é a produção por troca e consumo. A educação na época capitalista forja a ideia de escola pública, gratuita, com a responsabilidade pela reprodução do modo de produção capitalista.

2    DESENVOLVIMENTO

2.1 O mundo do trabalho: No capitalismo moderno

O termo trabalho foi construído historicamente, sobre a ação do homem, o qual foi visto como a essência da vida humana, pois o homem age na natureza adequando e transformando-a para suprir as suas necessidades.
De acordo com SAVIANI (2007, p. 154) “Prevalecia, aí, o modo de produção comunal, também chamado de “comunismo primitivo”. Não havia a divisão em classes. Tudo era feito em comum”.
Para o autor o trabalho na sociedade primitiva era realizado coletivamente, não havendo separação por classes sociais, e com o desenvolvimento da produção, da apropriação privada da terra, gerou uma divisão de trabalho, uma separação por classes sociais.  Sendo elas: A classe dos proprietários e a dos não proprietários de terras, neste período o trabalho era realizado dominantemente pelos escravos, onde os beneficiados eram os proprietários.
A relação trabalho e educação sofreram novas alterações devido a um novo modo de produção capitalista, diferente do modo feudal, no capitalismo a produção era realizada por troca, ou seja, pelo consumo, neste contexto as indústrias surgiram, exigindo uma qualificação profissional e especializada para promover uma concorrência de mercado.
 Com o capitalismo percebemos que os lucros são produzidos pela classe menos favorecida, ou seja, a exploração da mão de obra menos qualificada para o benefício da burguesia.
O filme “Servidão Moderna” representa a sociedade contemporânea, ou seja, capitalista, a qual se entende que trabalhamos para adquirir riquezas, e essas riquezas foram produzidas por outros trabalhadores que estão em busca de mais bens ou riquezas, subentende-se que estamos na civilização moderna, capitalista e mercante, escravos trabalhando para escravos.
Desta forma se gera uma rotina muito viciosa que é o consumismo, onde se procura trabalho, para se ter recursos financeiros, para se obter riquezas, sendo que, essas riquezas são produzidas na sua maioria de formas limitada, o que aguça ainda mais nossa vontade de consumir.
 Gerando assim uma falsa sensação de liberdade e de escolha, tanto no quesito comercial (consumir marca A ou B) como no quesito político, votar no Partido A ou B, enquanto que de acordo com o filme, não existe nenhuma diferencia em essência apenas na forma que foi apresentada.


2.2 O mundo do trabalho: Educação de Jovens e Adultos

  De acordo com SAVIANI (2007, p.154) “A origem da educação coincide, então, com a origem do homem mesmo”. Neste contexto o homem aprende com a interação, socialmente constrói suas aprendizagens, através de suas experiências de vida, se educando e educando os demais, sendo a educação uma ação espontânea e coletiva, presente inclusive em um momento anterior a escola.
Na sociedade primitiva não havia uma educação diferenciada, e nem no trabalho, mas com a produção, gerou uma divisão de classes sociais, influenciando diretamente na educação, onde a classe proprietária era para os homens livres, direcionadas a atividades intelectuais, ou militares realizadas dentro da instituição escolar e a não operária era destinada a escravos e serviçais, realizada fora da escola, sendo a educação voltada ao próprio trabalho.
Neste contexto houve uma ruptura entre a educação e o trabalho, devido à construção de uma sociedade por classes sociais, nas formas escravista e feudal, mas através da Revolução Industrial constituiu-se um novo modo de produção, o capitalista, que gerou grandes transformações, principalmente referentes à educação, a qual era primeiramente direito de poucos, ou seja, de elite, e passa a ser direito de todos e gratuito, mas ainda não havendo uma busca de educação igualitária a todas, tendo em vista o caráter pragmático e utilitário da educação para as classes baixas, com foco numa criação de um melhor e mais efetivo operário.
De acordo com SAVIANI (2007, p. 159) “O impacto da Revolução Industrial pôs em questão a separação entre instrução e trabalho produtivo, forçando a escola a ligar-se, de alguma maneira, ao mundo da produção.”.
A Revolução industrial influenciou na organização escolar, fazendo com que a escola voltasse ao mundo do trabalho, para atender as demandas de uma sociedade industrial, oferecendo uma educação relacionada ao trabalho, bem como cursos profissionalizantes ligados a produção.
A sociedade passou por varias transformações, as quais influenciaram na educação da EJA e no mundo do trabalho, exigindo do trabalhador uma qualificação profissional, que atendesse as demandas do atual mercado de trabalho.
A educação para jovens e adultos torna-se uma realidade a partir do final do século XIX em alguns países considerados desenvolvidos do ponto de vista de sua industrialização e algumas conquistas sociais, como no caso da Inglaterra. Para ROMANZINI (2010) o conceito para essa modalidade de ensino era de “educação contínua”, sugerindo que o processo de aprendizagem deveria se processar de forma constante, sem limites estanques.
O Ensino de Jovens e Adultos no Brasil (EJA) está inserido na meta do Estado brasileiro de erradicar o analfabetismo juntamente com a de proporcionar à população cuja faixa etária não se adéqua mais ao Ensino Fundamental e Ensino Médio, a complementação de sua formação escolar.
Embora as cartilhas do governo enfatizem a necessidade de promover entre os sujeitos do EJA, segundo SAVIANI (2007) o aprendizado para a formação escolar, também está enfatizada a formação de sujeitos sociais críticos e aptos a lidar com as exigências de um mundo em transformação. Mas o que se observa, na prática, são pessoas voltando aos bancos das salas de aula em busca de uma certificação básica, a fim de, em sua maioria, estarem mais aptos ao mundo do trabalho, não que isso fosse garantia.
Atualmente, no entanto, é notório que o público adulto está inserido ou tentando se inserir no processo profissional. Em outras palavras, tentando garantir o emprego ou buscando alguma forma de trabalho que possibilite antes de tudo, a própria sobrevivência ou um maior status e mobilidade econômica.
ROMANZINI (2010) coloca que as classes menos favorecidas, basicamente trabalhadores de baixa renda, juntamente com etnias pardas, negras e mestiças em geral, estão excluídas de uma práxis verdadeiramente educativa e de consciência transformadora.
Para a autora a consequência é uma educação elitizada, ou melhor, uma educação de qualidade cujo acesso está focado nas elites, restando às classes e etnias citadas (o que em muitos casos, é a mesma coisa) uma educação precária e de qualidade questionável. Os trabalhadores, sobretudo, recebem aquilo que para eles está previamente definido por uma sociedade estruturada pelo capitalismo que em tese lhes permitirá servir apenas como melhor mão de obra.
Para estes trabalhadores são destinado um tipo especifico de educação: Fragmentada, superficial, de baixíssima qualidade, formatada para a composição de um exército de reserva de mão de obra barata e disponível a qualquer tempo.
A história do capitalismo é, antes de tudo, a história do esforço da classe capitalista em controlar e disciplinar a classe trabalhadora, para que aceite desempenhar um trabalho, o mais diligente possível e que esses trabalhadores conformem-se com o fato de que os produtos desse trabalho sejam apropriados pelos capitalistas e apenas a eles gere riquezas. (WOLFF, 2004, p.2)
E o público do EJA é revestido de uma imagem de exclusão social. Segundo MARTINS (1997), referindo-se ao grande contingente de mão de obra precária tida como excluída da cidadania, não existe exclusão, porque todos estão incluídos na sociedade. O que há é uma fetichização da ideia de exclusão. Sociologicamente não existe exclusão. Existe uma inclusão precária, instável e marginal decorrente de uma situação econômica.
E que resulta para muitos na sociedade, em ocupar apenas lugares residuais. A exclusão passou a ser notada porque a inclusão proposta pelo capitalismo está muito lenta. O período de passagem da exclusão para a inclusão está muito longo, ultrapassou a transitoriedade, está se transformando num modo de vida. (MARTINS, 1997).
Neste contexto está visível que na atual sociedade capitalista há uma grande desigualdade social, onde a exclusão se faz presente, os alunos da EJA são alunos que já foram excluídos pelo ensino regular, e buscam nesta modalidade de ensino a sua inserção na sociedade, no mundo do trabalho, bem como sua valorização.


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Tanto o trabalho como a educação foi constituído socialmente, passaram por transformações, visando atender a demanda da sociedade correspondente a cada época, influenciando diretamente no modo de vida. No caso de uma sociedade capitalista tanto o trabalho como a educação tem como objetivo manter certo status, embora permita certa mobilidade (ou ilusão de mobilidade) social, que serviria exatamente como forma de proteger o sistema.
A educação tem então um objetivo a princípio de gerar apenas melhores trabalhadores para manter a “engrenagem” funcionando, que se adapta dependendo da época do capitalismo. Para sair então deste círculo vicioso é preciso que tanto os trabalhadores se dessem de conta que são a maioria e que tem o poder em suas mãos, e a escola que assumisse um papel não só de formadora de melhores trabalhadores e cidadãos utilitários, mas também como formadora de pessoas autoconscientes e capazes de mudar a si mesmos e o mundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MARTINS, José de S. Exclusão social e a nova desigualdade. São Paulo: Paulus, 1997.


ROMANZINI, Beatriz. EJA – Ensino de Jovens e Adultos e o mercado de trabalho. Qual ensino? Qual trabalho? Disponível em: http://www.uel.br/projetos/lenpes/pages/arquivos/aBeatriz%20Artigo. Pdf. Acessado em 20/06/15.


SAVIANI, Dermeval. Trabalho e Educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação v. 12 n. 34 jan./abr. 2007. Caderno didático da disciplina EJA e Mundo do Trabalho. Curso de Especialização de Educação de Jovens e Adultos na Diversidade. FURG, 2015.



WOLFF, Simone. O espectro da reificação em uma empresa de telecomunicações: o processo de trabalho sob os novos parâmetros gerenciais e tecnológicos. Campinas: Unicamp, 2004.

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Especialização em Educação de Jovens e Adultos
na Diversidade

 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DA EJA
PROJETO INTERVENÇÃO DE AÇÃO EDUCATIVA


OFICINA DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: SABERES EM CONSTRUÇÃO

1 INTRODUÇÃO
O presente projeto é realizado no Centro de Atenção Psicossocial CAPS I Nossa Casa, que segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, está em funcionamento desde 17 de agosto de 1988, sendo considerado um dos mais antigos CAPS em atendimento no país, iniciando as suas atividades como Centro Comunitário de Saúde Mental e, segundo a portaria de 2002 tornou-se CAPS.
O perfil dos usuários que compõe este projeto são pessoas que possuem Transtorno Mental, sendo que o público alvo são pessoas que possuem Deficiência Mental em seus variados níveis, alguns não chegaram a frequentar a escola por conta da Deficiência Mental, os que foram escolarizados frequentam esta oficina para aprimorar conhecimentos e trabalhar a cognição, pois o uso prolongado de medicamentos psicofármacos causa algum prejuízo na cognição.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Justificativa
O acesso à educação é um direito de todos os cidadãos brasileiros, independente de credo, classe social, sexo, cultura ou deficiências. A Lei Federal nº 10.216 de 2001 (BRASIL, 2001) dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com sofrimento psíquico, estando previstos nesta Lei o atendimento integral com serviços psicológicos, serviço social, médico, de lazer, ocupacionais, mas nesta Lei não coloca a educação como um destes atendimentos.
Este trabalho visa conscientizar que as pessoas portadoras de Transtorno ou Deficiência Mental também possuem o direito e condições de serem alfabetizadas e inseridas no meio escolar, incentivando através de diversas metodologias o gosto à leitura e a escrita.
Entende-se que educar é a continuação de uma sociedade, é transmitir cultura e conhecimento, fazendo parte dos processos formativos na vida familiar, no trabalho, na convivência humana, das instituições de ensino, nos movimentos sociais, entre outros, fazendo com que o indivíduo torne-se apto a viver em sua sociedade de maneira participativa, crítica, consciente e ativa.
A oficina de atividades pedagógicas tem caráter socioeducativo e terapêutico, visto que os participantes são usuários de CAPS, como indica a própria etimologia da palavra –“oficina”, em latim, também significa, figurativamente, “escola” (FARIA, 1962) -, as oficinas supõem um contexto pedagógico e, ao mesmo tempo estável e dinâmico, permitindo a constituição de vínculos de amizade, respeito e solidariedade.
O intuito desta oficina é proporcionar ao usuário condições para que se torne sujeito de sua própria aprendizagem, a partir de descobertas realizadas de forma lúdica, como jogos, leituras e dramatização, desenvolvendo seu senso crítico, modificando seu comportamento com responsabilidade, respeito e cooperação, tornando-se assim um cidadão consciente de seu lugar na sociedade.

2.2 Objetivos
Propiciar um trabalho socioeducativo, valorizando os conhecimentos adquiridos por estes sujeitos ao longo de sua vida, a aplicação destes conhecimentos em seu cotidiano, permitindo assim uma re-conexão com sua realidade, possibilitando a construção sólida da cidadania através da educação.

2.3 Historicidade e Cultura Local
Segundo FREIRE (2002) a prática pedagógica precisa estar vinculada aos aspectos históricos e sociais dos educandos, visando à elucidação das questões que realmente importam para a comunidade, para ele se não ocorrer uma reflexão sobre si mesmo, sobre seu papel no mundo, não é possível ultrapassar os obstáculos, por isso a ação do professor é fundamental, porque estimula o sujeito à libertação quando o conscientiza, ou o leva à opressão quando o aliena.
Os alunos jovens e adultos (idade superior a 14 anos) com deficiência mental, muito embora taxados, sob o aspecto cognitivo, como tendo um nível intelectual semelhante ao de uma criança, em sua maioria, possuem especificidades e necessidades diferenciadas das de uma criança, além de existirem diferenças de estruturas físicas, emocionais e até mesmo intelectuais frente à sua condição de vida.
Os sujeitos que frequentam esta oficina são de variadas etnias, credo, localidades, todos são de classe social mais baixa, possuem transtorno ou deficiência mental. As pessoas que tem algum sofrimento psíquico são excluídas socialmente, apresentando redes sociais mais limitadas que a média das outras pessoas, para FERNANDES e MOURA (2009) a segregação não é apenas fisicamente, permeia o corpo social numa espécie de barreira invisível que impede a quebra de vários paradigmas.
As vivências e os conhecimentos existentes são extremamente valorizados na oficina, pois é a partir daí que iremos perceber o quanto o indivíduo sabe e quais suas necessidades.

2.4 Contexto Local
Segundo MOURA (2011) O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um espaço para a articulação do cuidado clínico e a reabilitação psicossocial, os projetos terapêuticos existentes dentro dos CAPS devem trabalhar a construção de meios de inserção social, respeitando as possibilidades individuais de cada um, suas histórias de vida e a promoção da cidadania, esperando que se minimizem os estigmas de que o “louco” é incapaz de viver a sua própria história.

O CAPS constitui-se como um serviço de saúde aberto, comunitário e promotor de vida, que tem como principal meta de desistitucionalização e o atendimento à sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a inclusão social dos seus usuários, através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários ao proporcionar diversas atividades terapêuticas como acompanhamento psiquiátrico, visitas domiciliares, atividades de orientação e comunitários, psicoterapia individual ou grupal e oficinas terapêuticas (BRASIL, 2004).

Estes sujeitos que estão inseridos nestes espaços tiveram pouco ou nenhum contato com a vida escolar, a oficina de alfabetização contribui para que eles possam exercitar a leitura e a escrita, pois se entende que é um recurso valioso na (re) construção do sujeito social.

2.5 Metodologia
Os encontros são semanais, onde são realizadas atividades pedagógicas, proporcionando o desenvolvimento de habilidades e capacidades sensoriais e motoras, imprescindíveis para o aprendizado da escrita e da leitura, considerando este como espaço-tempo para refletir, sentir, pensar e atuar como sujeitos pertencentes à sociedade, buscando desta forma contribuir para o desenvolvimento psíquico e motor dos mesmos.
 Esta oficina possui poucos usuários, no máximo oito, pois as atividades são pensadas individualmente, atendendo às singularidades e o tempo de cada um. O tempo médio da duração da oficina é de duas horas, no máximo, sempre começando com uma conversa, de como passaram a semana, assim eles expõem seus sentimentos e emoções.
As metodologias desenvolvidas visam contribuir para o processo de alfabetização nas áreas de linguagem e matemática, onde são utilizados jogos matemáticos que englobaram a leitura, incentivando os alunos ao gosto pela leitura e escrita, e estimulando o raciocínio lógico, contribuindo para a aprendizagem e autoestima destes sujeitos.
O modo de avaliação parte do pressuposto na aquisição das aprendizagens como tema central, não tendo como referências erros e acertos, pois segundo ESTEBAN:
(...) põe o diálogo no centro do processo ensino/aprendizagem e joga luz sobre as pontes que conectam os territórios artificialmente isolados. Substitui a interpretação unívoca, de natureza excludente, que propõe a avaliação como um processo articulado pela distinção entre erro e acerto, por uma orientação dialógica, que pressupõe inclusão e multiplicidade” (ESTEBAN págs 6 e 7).

A avaliação vai mostrando as facilidades e as dificuldades que vão sendo apontadas ao longo do processo educacional por todos os envolvidos, realizando-se de maneira contínua, exigindo interpretação e reflexão das situações cotidianas, propiciando informações relevantes a todos os envolvidos.

3 REFERENCIAL TEÓRICO
As disciplinas que estão sendo ministradas no Curso de Especialização na EJA nos permite ter como norteador de nossas práticas pedagógicas, pois através delas consegue-se interpretar as singularidades existentes na Educação de Jovens e Adultos.
OLIVEIRA (2007) coloca que o trabalho pedagógico deve estar pautado em adequar os métodos e objetivos às especificidades dos alunos onde começou a emergir a consciência de que alfabetizar adultos requeria o desenvolvimento de um trabalho diferente daquele destinado às crianças nas escolas regulares.
Com essa afirmativa percebe-se que a necessidade de um ensino/oficina diferenciado das crianças, em específico na saúde mental, pois estes sujeitos carregam uma vasta bagagem de experiência de vida e isso deve ser respeitado e valorizado.
Para GOMES:
(...) alfabetizar é uma ação política, uma expressão da cidadania, não uma forma de ser solidário ou uma estratégia para transformar aquele que é alvo de atenção em um “cidadão completo” e dar-nos, desta forma, o título de “ cidadão caridosos” (GOMES, pág 5)

Este trabalho tem como finalidade proporcionar momentos de convivência das diferenças, singularidades, respeito ao próximo, construção da cidadania e não apenas um ato de caridade, um mero favor, pois estes sujeitos têm os mesmos direitos de qualquer cidadão.
Para que haja mudanças é necessário que aconteça um entendimento do universo da EJA e de seus sujeitos, desta forma será possível identificar quais serão as mudanças a serem efetuadas. Para isso acontecer devemos começar com pequenas ações, e todos que estão envolvidos neste processo devem trabalhar juntos, ter claro que o objetivo é pensar num currículo que atenda as especificidades destes alunos.
 Segundo DIAS e ZASSO “atualmente, os estudos sobre letramento no Brasil vêm configurando um novo campo de investigação. Estes trabalhos têm contribuído bastante para repensarmos de uma maneira geral a prática escolar, bem como as práticas de alfabetização, já que alguns estudos denunciam aspectos da escola que precisam ser redimensionados, como por exemplo, a concepção sobre a escrita”.
Também deve ser considerada toda bagagem cultural, intelectual e experiência de vida destes alunos, pois além dos saberes e aprendizagens que encontramos na escola, podemos e devemos construir conhecimentos através do que estes alunos já sabem e carregam consigo respeitando suas limitações e suas formas de aprendizagens.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através das oficinas pode-se conhecer a realidade social e cultural dos sujeitos que acessam o serviço de saúde mental, bem como suas necessidades e capacidades, o trabalho objetivou motivar estas pessoas, estimulando o gosto pela leitura e escrita, propiciando aos mesmos a aquisição de conhecimentos.
 É notado um aumento na autoestima deles, no qual cada avanço é visto como grandes vitórias pessoais, demonstrando assim a importância que tem a imagem que o professor/oficineiro , assim como é valorizado para eles a conquista de um maior domínio, por menor que seja da língua portuguesa e da matemática, pois para nós o que seria considerado como “pequeno”, para estes sujeitos os significados tem um peso bem maior.
Percebe-se que a educação tem vários significados na vida destes indivíduos, como socializar, na realização das atividades pedagógicas, podendo também atuar de forma bastante positiva no processo terapêutico, tornando-se desta maneira instrumento para a emancipação destes sujeitos que estão em sofrimento psíquico.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei 10.216 de 06 de abril de 2001: Dispõe sobre a proteção e o s direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília: Planalto. 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Mental no SUS: Os Centros de Atenção Psicossocial. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

CANDAU, V, M., Educação em Direitos Humanos: uma proposta de trabalho. Conselho Estadual da Defesa dos Direitos Humanos do Homem e do Cidadão, 1999.

DIAS, Cleusa Maria Sobral e ZASSO, Silvana Maria Bellé. Situando alguns conceitos: letramento, alfabetização, alfabetismo e analfabetismo. FURG 2015

FARIA, E. Dicionário escolar latino-português. Rio de Janeiro: MEC, 1962.

FREIRE, PAULO. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 21ª Edição. São Paulo. Editora Paz e Terra.2002

FERNANDES, Flora e MOURA, Joviane A. A institucionalização da Loucura: enquadramento nosológico e Políticas Públicas no contexto da Saúde Mental. (parte II) 2009.

GOMES, Vanise dos Santos. Olhares sobre a alfabetização.

MOURA, Joviane A. A História da Assistência à Saúde Mental no Brasil: da Reforma Psiquiátrica à Construção dos Mecanismos de Atenção Psicossocial. 2011.

OLIVEIRA, Inês Barbosa. Reflexões acerca da organização curricular e das práticas pedagógicas na EJA. Educar, Curitiba, n. 29, p. 83-100, 2007. Editora UFPR

Secretaria Municipal de Saúde, em: http://smsbes-sls.blogspot.com.br/p/caps-nossa-casa.html. Acesso disponível em 05/10/2015.