segunda-feira, 9 de novembro de 2015


FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DIVERSIDADE, DIÁLOGO, AUTONOMIA.

HISTÓRICO, LEGISLAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DA EJA

VARGAS e FANTINATO (2011) ressaltam a importância de uma formação docente para a Educação de Jovens e Adultos, baseada na preparação teórico-metodológica dos conceitos de diversidade cultural, diálogo, autonomia e o desenvolvimento de uma Proposta Curricular voltada para esta modalidade de ensino, relatando como os professores da EJA vivenciam os desafios da prática docente e suas motivações para atuarem nesta modalidade de ensino.
Através de entrevistas realizadas com professores da EJA do Rio Janeiro que participaram de formação continuada promovida pela SME-RJ em 2004 e 2008, as autoras destacam os seguintes itens na pesquisa: Trabalho docente na EJA, Desafios da formação de professores de Jovens e Adultos e as Implicações da formação continua para o desenvolvimento de proposta curricular em EJA.
Segundo PAIVA (1973) a EJA é considerada uma modalidade diferenciada, pois está fora dos moldes tradicionais do ensino regular e a formação docente deve ter uma configuração adequada a este público, sendo que as Políticas Públicas devem proporcionar uma educação de qualidade comprometida com a construção da cidadania.

Trabalho docente na EJA: Motivações e escolhas
Na pesquisa realizada por VARGAS e FANTINATO (2011) os professores entrevistados relataram que atua na EJA por distintas motivações, como conveniência do horário noturno, acréscimo de porcentual ao salário, possibilidade de trabalhar perto de casa e entre outras. 
            A preparação inicial dos professores de diversas áreas destinadas para atuarem no ensino regular não possui uma formação específica e adequada para EJA, uma preparação teórico-metodológica que ressaltassem as especificidades dos alunos desta modalidade de ensino.
Para RIBAS e SOARES (2012) a concepção moderna do professor da EJA exige uma sólida formação científica, técnica e política, atreladas às práticas pedagógicas críticas e conscientes para avaliar a atual condição da educação.
            Os professores da EJA desenvolvem seu trabalho pedagógico, através do conhecimento construído no cotidiano com os alunos, como a troca de experiências entre aluno e professor, e os professores continuam atuando na EJA porque sabem como é importante a escolarização para esses alunos, pois estes sujeitos possuem suas histórias de vidas tecidas na exclusão, a (re)inserção desses alunos e a permanência dos mesmos no âmbito escolar contribuirão para a redefinição da identidade dos mesmos.
Para BANNEL (2001, P.22) “cada sala de aula está inserida em um contexto sociocultural que é plural, marcado pela diversidade de grupos e classes sociais, visões de mundo, valores, crenças, padrões de comportamentos, etc., uma diversidade que está refletida na sala de aula”. Esta diversidade e realidade destes sujeitos devem ser consideradas pelo educador quando for realizar as suas práticas.
            Os motivos que fazem com que os professores atuam na EJA estão relacionados a um espaço maior de autonomia, por ser um trabalho docente desenvolvido com alunos adultos, propícia uma maior interação entre ambos e a proximidade da faixa etária é um dos fatores que motivam a aproximação dos mesmos, mantendo desta forma um diálogo mais aberto sobre questões sociais.
            Outro fator é origem social dos professores da EJA, os quais viveram em contexto social como seus alunos, sendo que seus pais puderam cursar somente as series iniciais, este fator contribui para valorização da educação não formal, vivenciadas pelos sujeitos envolvidos neste processo de construção de aprendizagens, sensibilizando sobre a diversidade cultural existente.
           
Desafios da formação de professores de Jovens e Adultos
Entre os desafios encontrados pelos professores da EJA estão às questões relacionadas à diversidade cultural, ao diálogo e a autonomia, neste contexto a preocupações com a diversidade e igualdade, também a diferencia da faixa etária entre os alunos, e seus múltiplos papéis que ocupa na família, fatores que dificultam a percepção das identidades individuais e da turma em geral, realizadas pelos professores.
            A EJA é uma modalidade de ensino que se originou na desigualdade e na exclusão, e atuar nesta modalidade de ensino é enfrentar vários desafios, sendo necessário compreender que todos somos seres únicos, com características diferentes, mas possuem os mesmos direitos, perante a essa diversidade e com objetivo de identificar as múltiplas realidades existentes na EJA.
Deve ser reconhecidos e valorizados os saberes não formais dos alunos, e contemplados no planejamento do professor, suprindo as peculiaridades e necessidades de cada aluno, reconhecendo a identidade cultural de seus alunos, através de um afetivo diálogo entre os sujeitos envolvidos neste processo.
            VARGAS e FANTINATO (2011) ressaltam a concepção de Freire que vincula o processo dialogal ao próprio ato de conhecer, neste contexto se faz necessário o diálogo entre as áreas do conhecimento e os diferentes saberes dos alunos jovens e adultos trabalhadores.
             Questões relacionadas à dinâmica e autonomia tem sido um assunto abordado pelos professores, os quais visam combater a baixa autoestima de seus alunos, e que em busca de contemplar as especificidades dos alunos se questionam sobre a influência que a sua autonomia pode trazer aos conteúdos curriculares.
              A construção da autonomia ocorre através do diálogo, dos saberes de todos os envolvidos no processo de aprendizagem, sendo vivenciada pelos professores em seu trabalho docente e através da formação continuada de professores.
            De acordo com VARGAS e FANTINATO (2011) os cursos de licenciaturas deveriam abordar assuntos que privilegiam a diversidade, a autonomia e o diálogo, favorecendo desta forma uma educação que leve em conta os saberes, os processos de construção do conhecimento dos alunos e a construção de uma prática docente crítica e transformadora na EJA.
                Através da interação entre aluno e professor, e dos saberes não formais,  os conhecimentos curriculares vão sendo construídos e reconstruídos, tornando assim os novos conhecimentos significativos, pois a educação oportuniza a cada indivíduo conduzir o seu processo formativo.  O trabalho de construção da autonomia do professor da EJA, esta sendo construído juntamente com os alunos, através do diálogo sobre os interesses e necessidades de cada um.
             
Implicações da Formação Continuada para o Desenvolvimento de Proposta Curricular em EJA
              Na formação continuada de professores na EJA são abordadas questões relacionadas aos princípios de diversidade, diálogo e autonomia, como um direito à uma educação de qualidade para as camadas populares, esses espaços e tempos de formação são fundamentais, porque através da troca de experiências entre profissionais a formação possa a ser reinventada.
Os conteúdos devem ser articulados em uma perspectiva intercultural e interdisciplinar, visando entender como esses saberes foram construídos, as motivações que os professores adquiriram com as experiências acabam dificultando-os de reconhecer os saberes construídos nas práticas sociais.
O professor deve identificar esses múltiplos saberes dos alunos e mediá-los com os saberes escolares, contribuindo para o desenvolvimento de uma proposta curricular alternativa para esta modalidade de ensino, que diminui à distância entre a formação inicial e a prática docente na EJA.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BANNEL, R. Formação discursiva do professor e a (re) construção crítica do saber pedagógico, In. Movimento: revista da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, nº 4 Niterói, Set.2001.

PAIVA, V.P. Educação popular e educação de Adultos: contribuição à História da Educação Brasileira. São Paulo: Loyola, 1973, p.57.

RIBAS, Marciele Stiegler; SOARES, Solange Toldo. Formação de professores para atuar na EJA; uma reflexão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da prática docente, In. Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul. 2012.

VARGAS, Sonia Maria; FANTINATO, Maria Cecilia de Castello Branco.  Formação de professores da educação de Jovens e Adultos: Diversidade, diálogo, autonomia, In. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v.11, n. 34, p.915-331, Set./Dez. 2011. Disponível na Disciplina Histórico, legislação e Políticas Públicas da EJA. Curso de Especialização de Educação de Jovens e Adultos na Diversidade. FURG, 2011.




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