FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DIVERSIDADE,
DIÁLOGO, AUTONOMIA.
HISTÓRICO, LEGISLAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DA
EJA
VARGAS e FANTINATO (2011) ressaltam a importância de uma formação
docente para a Educação de Jovens e Adultos, baseada na preparação
teórico-metodológica dos conceitos de diversidade cultural, diálogo, autonomia e
o desenvolvimento de uma Proposta Curricular voltada para esta modalidade de
ensino, relatando como os professores da EJA vivenciam os desafios da prática
docente e suas motivações para atuarem nesta modalidade de ensino.
Através de entrevistas realizadas com professores
da EJA do Rio Janeiro que participaram de formação continuada promovida pela SME-RJ
em 2004 e 2008, as autoras destacam os seguintes itens na pesquisa: Trabalho
docente na EJA, Desafios da formação de professores de Jovens e Adultos e as
Implicações da formação continua para o desenvolvimento de proposta curricular
em EJA.
Segundo PAIVA (1973) a EJA é considerada uma modalidade
diferenciada, pois está fora dos moldes tradicionais do ensino regular e a
formação docente deve ter uma configuração adequada a este público, sendo que
as Políticas Públicas devem proporcionar uma educação de qualidade comprometida
com a construção da cidadania.
Trabalho
docente na EJA: Motivações e escolhas
Na pesquisa realizada por VARGAS e FANTINATO
(2011) os professores entrevistados relataram que atua na EJA por distintas
motivações, como conveniência do horário noturno, acréscimo de porcentual ao
salário, possibilidade de trabalhar perto de casa e entre outras.
A preparação inicial dos
professores de diversas áreas destinadas para atuarem no ensino regular não
possui uma formação específica e adequada para EJA, uma preparação
teórico-metodológica que ressaltassem as especificidades dos alunos desta
modalidade de ensino.
Para RIBAS e SOARES (2012) a concepção moderna
do professor da EJA exige uma sólida formação científica, técnica e política,
atreladas às práticas pedagógicas críticas e conscientes para avaliar a atual
condição da educação.
Os professores da EJA
desenvolvem seu trabalho pedagógico, através do conhecimento construído no
cotidiano com os alunos, como a troca de experiências entre aluno e professor, e
os professores continuam atuando na EJA porque sabem como é importante a
escolarização para esses alunos, pois estes sujeitos possuem suas histórias de
vidas tecidas na exclusão, a (re)inserção desses alunos e a permanência dos
mesmos no âmbito escolar contribuirão para a redefinição da identidade dos
mesmos.
Para BANNEL (2001, P.22) “cada sala de aula está
inserida em um contexto sociocultural que é plural, marcado pela diversidade de
grupos e classes sociais, visões de mundo, valores, crenças, padrões de
comportamentos, etc., uma diversidade que está refletida na sala de aula”. Esta
diversidade e realidade destes sujeitos devem ser consideradas pelo educador
quando for realizar as suas práticas.
Os motivos que fazem
com que os professores atuam na EJA estão relacionados a um espaço maior de autonomia,
por ser um trabalho docente desenvolvido com alunos adultos, propícia uma maior
interação entre ambos e a proximidade da faixa etária é um dos fatores que
motivam a aproximação dos mesmos, mantendo desta forma um diálogo mais aberto sobre
questões sociais.
Outro fator é origem
social dos professores da EJA, os quais viveram em contexto social como seus
alunos, sendo que seus pais puderam cursar somente as series iniciais, este
fator contribui para valorização da educação não formal, vivenciadas pelos
sujeitos envolvidos neste processo de construção de aprendizagens, sensibilizando
sobre a diversidade cultural existente.
Desafios
da formação de professores de Jovens e Adultos
Entre os desafios encontrados pelos professores
da EJA estão às questões relacionadas à diversidade cultural, ao diálogo e a
autonomia, neste contexto a preocupações com a diversidade e igualdade, também a
diferencia da faixa etária entre os alunos, e seus múltiplos papéis que ocupa na
família, fatores que dificultam a percepção das identidades individuais e da
turma em geral, realizadas pelos professores.
A EJA é uma modalidade
de ensino que se originou na desigualdade e na exclusão, e atuar nesta
modalidade de ensino é enfrentar vários desafios, sendo necessário compreender que
todos somos seres únicos, com características diferentes, mas possuem os mesmos
direitos, perante a essa diversidade e com objetivo de identificar as múltiplas
realidades existentes na EJA.
Deve ser reconhecidos e valorizados os saberes
não formais dos alunos, e contemplados no planejamento do professor, suprindo
as peculiaridades e necessidades de cada aluno, reconhecendo a identidade
cultural de seus alunos, através de um afetivo diálogo entre os sujeitos
envolvidos neste processo.
VARGAS e FANTINATO
(2011) ressaltam a concepção de Freire que vincula o processo dialogal ao
próprio ato de conhecer, neste contexto se faz necessário o diálogo entre as áreas
do conhecimento e os diferentes saberes dos alunos jovens e adultos
trabalhadores.
Questões relacionadas à dinâmica e autonomia
tem sido um assunto abordado pelos professores, os quais visam combater a baixa
autoestima de seus alunos, e que em busca de contemplar as especificidades dos
alunos se questionam sobre a influência que a sua autonomia pode trazer aos conteúdos
curriculares.
A construção da autonomia ocorre através do diálogo, dos saberes de
todos os envolvidos no processo de aprendizagem, sendo vivenciada pelos
professores em seu trabalho docente e através da formação continuada de professores.
De acordo com VARGAS e FANTINATO (2011) os cursos de licenciaturas
deveriam abordar assuntos que privilegiam a diversidade, a autonomia e o
diálogo, favorecendo desta forma uma educação que leve em conta os saberes, os
processos de construção do conhecimento dos alunos e a construção de uma prática
docente crítica e transformadora na EJA.
Através da interação entre aluno
e professor, e dos saberes não formais, os
conhecimentos curriculares vão sendo construídos e reconstruídos, tornando
assim os novos conhecimentos significativos, pois a educação oportuniza a cada
indivíduo conduzir o seu processo formativo. O trabalho de construção da autonomia do
professor da EJA, esta sendo construído juntamente com os alunos, através do
diálogo sobre os interesses e necessidades de cada um.
Implicações da Formação Continuada para o
Desenvolvimento de Proposta Curricular em EJA
Na
formação continuada de professores na EJA são abordadas questões relacionadas
aos princípios de diversidade, diálogo e autonomia, como um direito à uma
educação de qualidade para as camadas populares, esses espaços e tempos de
formação são fundamentais, porque através da troca de experiências entre profissionais
a formação possa a ser reinventada.
Os conteúdos devem ser articulados em uma
perspectiva intercultural e interdisciplinar, visando entender como esses
saberes foram construídos, as motivações que os professores adquiriram com as
experiências acabam dificultando-os de reconhecer os saberes construídos nas
práticas sociais.
O professor deve identificar esses múltiplos
saberes dos alunos e mediá-los com os saberes escolares, contribuindo para o desenvolvimento
de uma proposta curricular alternativa para esta modalidade de ensino, que
diminui à distância entre a formação inicial e a prática docente na EJA.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BANNEL, R. Formação
discursiva do professor e a (re) construção crítica do saber pedagógico,
In. Movimento: revista da Faculdade de Educação da Universidade Federal
Fluminense, nº 4 Niterói, Set.2001.
PAIVA, V.P.
Educação popular e educação de Adultos: contribuição à História da Educação
Brasileira. São Paulo: Loyola, 1973, p.57.
RIBAS, Marciele Stiegler; SOARES, Solange Toldo.
Formação de professores para atuar na
EJA; uma reflexão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da prática docente, In.
Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul. 2012.
VARGAS, Sonia Maria; FANTINATO, Maria Cecilia de
Castello Branco. Formação de professores da educação de Jovens
e Adultos: Diversidade, diálogo, autonomia, In. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v.11, n. 34, p.915-331, Set./Dez. 2011.
Disponível na Disciplina Histórico, legislação e Políticas Públicas da EJA.
Curso de Especialização de Educação de Jovens e Adultos na Diversidade. FURG,
2011.
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